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EDUCAÇÃO

Secretaria de Estado da Educação de Alagoas
Segunda, 22 Março 2021 18:59
ESCUTA

Pesquisa com professores da rede estadual ajuda Seduc na organização do ano letivo

Levantamento foi realizado em dois momentos e colheu informações sobre perfil, rotina e saúde e percepção em relação ao ensino remoto em 2020

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Professores da rede estadual opinaram sobreo ensino remoto em 2020 Professores da rede estadual opinaram sobreo ensino remoto em 2020 Cortesia e Reprodução
Texto de Manuella Nobre

Desde que estabeleceu o Regime Especial de Atividades Escolares Não Presenciais (REAENP) nas escolas da Rede Estadual, em abril de 2020, como medida preventiva à disseminação da Covid-19, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) tem promovido ações estratégicas a fim de acompanhar, avaliar e interagir com a comunidade escolar. A mais recente delas foi a escuta de quase seis mil docentes da rede estadual, em janeiro deste ano, antes do início do ano letivo 2021.
 
Após a primeira pesquisa, realizada no final de maio passado, a Seduc, por meio da Superintendência de Políticas Educacionais (Suped), promoveu uma segunda, on-line, no período de 25 a 29 de janeiro, com o objetivo de escutar os docentes com base em três dimensões: perfil, rotina e saúde e percepção sobre as atividades desenvolvidas com o ensino remoto, contando com 5.756 respondentes, sendo 5.674 professores em efetivo exercício em sala de aula e 82 que desempenham outras funções.
 
Perfil dos professores entrevistados foto reproducao
 
Entre os professores pesquisados, a maioria atua somente na rede pública estadual de Alagoas, o que representa um percentual de 68,8%. Atuando na estadual e municipal, são 21,6% dos entrevistados, enquanto 8,5% atuam na estadual e privada. Grande parte dos educadores consultados possui idade entre 30 e 49 anos, perfazendo um total de quase 68%. Em comparação à primeira escuta, houve um aumento na participação de professores maiores de 49 anos – na faixa de 50 a 59 anos – que passou de 17,9% para 19,9%.
 
Escuta e planejamento -  De acordo com a gerente da Educação Básica da Seduc, Fabiana Dias, as pesquisas foram feitas em momentos estratégicos e foram fundamentais para todo o trabalho desenvolvido na rede estadual, desde o início da pandemia até o presente momento. Ainda segundo ela, a pesquisa foi realizada pela Suped, pelo Núcleo de Formação Continuada (NEF) e essa gerência, responsável pela tabulação. 
 
“Essas pesquisas e a avaliação que nós fizemos, com todos os envolvidos da rede estadual, influenciaram as decisões tomadas e o planejamento do que vai ser realizado. A primeira, em maio, e que repetimos agora para que pudéssemos escutar e saber as percepções deles a respeito do trabalho remoto, de como se sentiam, como estavam e a opinião deles sobre as atividades desenvolvidas, sobre os modelos pedagógicos, a metodologia. A partir destas escutas, foi possível perceber potencialidades, sinalizar caminhos e possibilidades de apoio para a secretaria atuar”, esclarece Fabiana Dias.
 
Fabiana Dias gerente de Educação Básica da Seduc fotos reproducao
 
O Gabinete da Seduc acompanhou de perto todo o trabalho e, para o secretário Executivo da Educação, José Márcio Augusto de Oliveira, esses dois momentos de escuta sistematizados foram importantes para compreender e responder aos desafios mais específicos que os docentes enfrentaram no ano de 2020.
 
“Entendemos que a nossa sala de aula não pode ignorar a pandemia, ela está em nossas vidas, de forma intensa, já neste segundo ano. O levantamento que fizemos nos deu respostas muito precisas daquilo que precisava ser aperfeiçoado, de qual deveria ser o foco de atenção para 2021. Por exemplo, um número grande de professores demonstrou temor pela perspectiva de um retorno presencial, sendo a grande preocupação o medo de adoecer e ter seus alunos contaminados pelo vírus. Mais de 60% deles mostraram essa como a principal preocupação e cerca de 30% destes declararam possuir alguma comorbidade”, considera o secretário.
 
Secretário Executivo da Educação José Márcio de Oliveira fotos reproducao
 
Socioemocional - Ainda dentro do ponto de vista rotina e saúde, sobre as condições socioemocionais dos professores, quanto à classificação da própria saúde emocional neste momento em comparação ao período que antecedeu à pandemia, 35,8% julgou indiferente e 30,2% avaliaram como boa, contra apenas 5% que considerou péssima.
 
Neste mesmo sentido, houve uma diminuição de 12,3% dos professores que classificaram sua saúde emocional como ruim e péssima. Em maio de 2020, eram 23,1%, enquanto, em janeiro de 2021, 11,9%. Neste mesmo intervalo de tempo, houve um aumento de 17,3% de professores que declararam serem indiferentes.
 
Este também foi um ponto analisado pelo secretário José Márcio. “Verificamos as questões emocionais, nos dois momentos. Em razão disso, resolvemos começar este ano com a capacitação não em termos de conteúdo, mas, durante este mês de março, no retorno efetivo das atividades pedagógicas, nós estamos capacitando os professores naquilo que temos chamado de competências emocionais, constituindo esse primeiro momento como de acolhimento emocional dos professores e estudantes”, explica.
 
De olho no ensino e aprendizagem - Um dos pontos que José Márcio também observou foi que os docentes responderam positivamente às estratégias propostas pela Seduc para o ensino remoto.
 
“De uma maneira geral, os professores avaliam de forma muito positiva as metodologias desenvolvidas para enfrentar esse primeiro ano da pandemia, os laboratórios de aprendizagem, o trabalho interdisciplinar e os desafios que trouxeram consigo: domínio das plataformas, o trabalho virtual, etc, algo que não era comum e as respostas precisaram ser dadas de forma muito rápida”, destaca o secretário, apontando ainda todo o aparato que os docentes dispõem, a partir do próprio corpo técnico da Seduc, por meio dos núcleos de formação e articuladores de ensino.
 
Sobre a percepção dos professores sobre as atividades desenvolvidas no REAENP, 40,5% avaliaram como boas; 29,1%, indiferentes; 12,4%, como excelentes; 4,6% ruim e 2,3 % péssimo. Partindo para uma análise mais específica, quanto ao nível de satisfação com a proposta pedagógica dos Laboratórios de Aprendizagem, 12,7% responderam estarem muito satisfeitos; 46,7% satisfeitos; 24,7% indiferentes; 11,6% insatisfeitos.
 
Eles também avaliaram positivamente a participação democrática dos professores nas decisões da escola durante o REAENP: 45,8% desta parcela se mostrou satisfeita, 25,4% muito satisfeita, 18,6% indiferente, 6,6% insatisfeita e 3,6% muito insatisfeita.
 
Comunicação - A pesquisa teve boa aceitação entre os professores, que a  julgaram um importante canal de contato entre a Seduc e o docente. É o caso de Bruno dos Santos Farias, que atua nas Escolas Estaduais Ana Lins e Edleuza Oliveira da Silva, ambas em São Miguel dos Campos.
 
“Eu me senti bem à vontade para responder estas questões, pois acho que é uma forma da Seduc saber como anda o desenvolvimento do professor, como anda sua saúde física e mental, a relação com as atividades propostas pela secretaria e a relação com seus alunos. No início foi um pouco complicado. Eu já usava a ferramenta do Google ₢lassroom, já tinha familiaridade com esta parte digital: o difícil foi passar isto para todos os alunos, pois eu trabalhava com uma turma teste e tive que expandir a todas. Eu trabalhava as disciplinas de matemática, física e robótica. No início foi complicado, mas consegui”, comemora o professor.
 
Sarah Souza, professora de matemática da Escola Estadual Adeilza Maria, localizada no bairro da Chã da Jaqueira, em Maceió, declarou-se satisfeita tanto com a escuta quanto ao seu desempenho durante o último ano.
 
Professora Sarah Souza da Escola Adeilza fotos cortesia
 
“Eu fiquei muito feliz com essa pesquisa, pois foi uma oportunidade para o professor ser ouvido. Classifico a minha experiência no ensino remoto como boa, pois já vinha trabalhando essa metodologia com minhas turmas desde 2019 no intuito de fazer um acompanhamento melhor. Na época, não consegui atingir 100% da turma, mas o percentual era muito bom, em torno de 82 a 85%. Com a pandemia, as aulas passaram a ser remotas, e, de início fiquei um pouco preocupada justamente por estes alunos que não conseguia atingir. Então, foi feita uma reunião entre direção, coordenação e demais professores, para a gente saber o que poderíamos fazer para atingir os demais alunos e aí decidimos criar grupos de whatsApp, fazer a entrega de atividades impressas e deu certo”, relata a professora.
 
Formações e práticas - Mesmo no período de atividades remotas, as formações continuaram e foram positivas e fundamentais para a superação dos desafios encontrados na pandemia. É o que afirma a professora Alyne Pereira, que leciona geografia na Escola Estadual Professor Mário Broad, também na capital.
 
“Achei muito importante a pesquisa realizada pela Seduc, não só pela preocupação com o processo de ensino e aprendizagem, mas também com o professor, ouvindo seus receios em relação à sua saúde e de sua família e querendo saber como estava esse diante da mudança repentina em seu cotidiano e trabalho pela pandemia. Outro ponto crucial para o desenvolvimento do meu trabalho nas aulas remotas foram as formações que aconteceram durante todo o ano de 2020, elas foram fundamentais para a realização das atividades online e sou muito grata”, reconhece a professora.
 
Professora Alyne em destaque durante aula com seus alunos fotos cortesia
 
Segundo a pesquisa,os encontros formativos realizados pelas escolas geraram mais de 80% de satisfação. O impacto dos momentos formativos na sua prática pedagógica foi avaliado da seguinte forma: 48,9%s se disse satisfeito, 24,3% muito satisfeito; 19,9% indiferente e 5,1% insatisfeito.
 
Já no que diz respeito à satisfação em relação à orientação para elaboração dos roteiros de estudos, 46,9% se mostrou satisfeito; 26,8% muito satisfeito, 18% indiferente, 6% insatisfeito e 2,3% muito insatisfeito. Quanto à satisfação em relação ao planejamento dos roteiros de estudos elaborados durante o Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), o resultado foi: satisfeito, 48.3%; muito satisfeito, 26.4%;indiferente, 18.5% e insatisfeito 4.7%.
 
Canais de comunicação -  Quando questionados sobre o canal mais utilizado para interagir com os estudantes, os professores responderam da seguinte forma: 53,1%  por meio de aplicativos de mensagens; 37,4% a partir  da Sala de Aula virtual (Google Sala de Aula); 4,6% por meio de atividades impressas e 3,4%  a partir de mídias sociais.
 
E em relação aos canais de comunicação com as escolas, os mais utilizados foram: em primeiro lugar, os aplicativos de mensagens, com 76,9%, seguidos pelo Google Sala de Aula (13,8%),mídias sociais (2,7%), e-mail (2,3%) e  atividades impressas (1,3%).
 
Pesquisa mostra canais de interação com os alunos fotos reproducao
 
Mais apoio - A Seduc avalia meios para melhorar a interação e participação entre alunos e escola. O secretário José Márcio reconheceu a necessidade de apoio aos professores na aquisição de equipamentos e no acesso à internet e também para alunos.
 
“Nós estruturamos duas ações a serem desenvolvidas neste ano de 2021: uma é um programa de apoio aos professores para a aquisição de equipamentos, que já está sendo desenvolvido e sua implementação, para os próximos meses, é uma realidade; e, outro, do acesso à internet, para apoiar os professores na contratação de pacotes de dados”, adianta José Márcio.
 
Um outro programa foca no suporte aos estudantes da rede estadual. “Estamos estruturando ainda uma ação de apoio aos estudantes, com pacotes de dados para ter acesso às plataformas, que a gente também vai desenvolver e, para além das plataformas, as ações dos laboratórios de aprendizagem, promovendo a reprodução de material para ser entregue aos estudantes”, conclui, afirmando que o trabalho segue, com a perspectiva de continuidade deste monitoramento e escuta dos professores durante este ano letivo.