Notícia

EDUCAÇÃO

Secretaria de Estado da Educação de Alagoas
Quarta, 16 Setembro 2020 03:34
EMANCIPAÇÃO DE ALAGOAS

Participantes relembram emoção de desfilar no 16 de setembro

Pela primeira vez na história, não será possível encher as ruas de capital com beleza e alegria, mas isso não impedirá a celebração da alagoanidade

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Desfile encanta alagoanos todos anos resgatando história e tradições culturais do estado Desfile encanta alagoanos todos anos resgatando história e tradições culturais do estado Thiago Henrique, Valdir Rocha, José Demétrio, Acervo Nossa Senhora do Bom Conselho, José Arnaldo, Acervo Pessoal e Cortesia
Texto de Ana Paula Lins

“Sus, os hinos de gloria já troam
A teus pés os rosais vêm florir
Os clarins e as fanfarras ressoam
Te levando em triunfo ao porvir”
 
Desfile cívico estudantil 202anos Arnaldo 240
 
O emblemático trecho do hino de Alagoas, composto por Luiz Mesquita e Benedito Silva, traz-nos a lembrança de que este será um 16 de setembro diferente. Não teremos as escolas e suas fanfarras encantando o público com a sua beleza e alegria. Em 2020, pela primeira vez na história, o desfile da emancipação política do estado não será realizado, uma medida para proteger toda a população da disseminação do coronavírus. No entanto, o silêncio das fanfarras e clarins não nos impede de celebrar a nossa alagoanidade. É o que afirmam Beatriz, Manuella, Karyne , Lausanne e Betânia, cinco alagoanas que têm uma história especial com a data e contam as suas histórias para a reportagem da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
 
Escolas estaduais no desfile de 2019 fotos thiago henrique 3
 
A madrinha – A estudante de jornalismo Karyne Gomes lembra com carinho da data. Por oito anos, ela viveu emoções com a fanfarra da Escola Estadual Aurelina Palmeira, de Maceió, onde começou como estandarte, foi baliza e chegou ao cobiçado cargo de madrinha.
 
Karyne desfila com o Aurelina Palmeira em 2013 fotos Valdir Rocha 058
 
“Era uma grande emoção participar de um evento tão importante como a comemoração da emancipação política de Alagoas. Para mim, foi muito gratificante. Participei desde os meus 12 anos de idade, sendo o meu último desfile o de 2017, na celebração dos 200 anos. Foi uma experiência inigualável e tenho orgulho de tê-la vivenciado”, afirma.
 
Karyne em seu último desfile em 2017 acervo pessoal 1
 
Ela recorda a emoção que sentia sempre que desfilava com a fanfarra de sua escola. “A energia e o carinho do público alagoano me emocionavam. Era uma alegria representar e participar de uma banda fanfarra de uma escola pública da rede de ensino estadual, onde estudei desde o meu 6º ano do ensino fundamental”, relata.
 
Karyne Gomes diz que desfilar é emoção indescritível foto Thiago Henrique 3
 
A menina do sertão – A jornalista e relações públicas Manuella Nobre vivenciou a data de diferentes formas. Como profissional, já cobriu o evento diversas vezes. Mas sua relação com o desfile evoca memórias da infância no município de Maravilha. Lembranças do encanto proporcionado pela fanfarra da Escola Estadual Atanagildo Brandão.
 
Manuella Nobre em destaque no desfile da emancipação de AL em Maravilha nos anos 80 foto acervo pessoal
 
 “O desfile era um dos eventos mais esperados do ano em Maravilha e região. Mobilizava toda a cidade meses antes, que parava para ver o desfile passar no dia 16. Lembro dos ensaios da banda fanfarra, da qual sempre sonhei participar, linda e emocionante a cada toque”, recorda. 
 
Ela fala com carinho desta tradição que faz questão de repassar aos filhos. “Tudo isso marcou profundamente a minha infância, e, hoje, é uma alegria e satisfação continuar esta tradição", ressalta.
 
Manuella Nobre cobre desfile em Jaraguá foto acervo pessoal
 
Desfilando com a banda – Professora de Língua Inglesa e diretora da Escola Estadual Salete de Gusmão, Betânia Alves também começou sua história de amor com o desfile na infância. Mais precisamente, pelas ruas de Bebedouro, na Escola Estadual Alberto Torres e com a histórica fanfarra do Colégio Bom Conselho.
 
1970 colégio bom conselho no desfile comemorativo emancipação politica de alagoas foto sociedade nossa senhora do bom conselho
 
“A primeira vez que participei de um desfile de 16 de setembro foi como porta-bandeira da Alberto Torres ainda no ensino fundamental. Quanto orgulho sentia de levar a bandeira de Alagoas no Estádio Rei Pelé, onde ocorria do desfile. Na fanfarra do Bom Conselho, tocava surdo e ensaiávamos bastante. Era uma alegria imensa, nem me importava de carregar comigo um instrumento tão pesado. Amava sair de casa usando aquele uniforme, era lindo desfilar pela ladeira da Chã”, conta.
 
Betânia Alves diretora da Escola Salete de Gusmão fotos cortesia
 
Tempos depois, já como diretora, viveu a mesma emoção. “Voltar a participar de um desfile cívico, mesmo que em outra posição, foi incrível, pois agora, proporcionava aos meus alunos e seus pais o mesmo sentimento. Via em cada um deles o mesmo entusiasmo”, fala. 
 
Orgulho – Para a professora aposentada Lausanne Leão Bittencourt, orgulho é a palavra que define as suas lembranças do desfile da emancipação política. Como aluna do Colégio Estadual de Alagoas (atualmente Escola Estadual Edmilson Pontes), ela fala com emoção do dia em que percorreu o Estádio Rei Pelé.
 
Lausanne e Beatriz antes do desfile de 1972 no Trapiachão fotos acervo pessoal
 
“Na década de 70, quando cursava o ensino médio, desfilei com minhas amigas e minha escola no Estádio Rei Pelé. Foi um momento de dupla emoção, pela data e por estar em nosso estádio”, revela.
 
Lausanne Leão acervo pessoal
 
De participante a organizadora – Amiga de Lausanne, Maria Beatriz Brandão Sá tem sua história intimamente ligada ao desfile de 16 de setembro. Algo que começa aos 7 anos de idade, quando a sua mãe, Maria José Rebelo Sá, então diretora da Escola Estadual Tavares Bastos, leva a filha para participar do pelotão que encerraria o cortejo. Este seria o primeiro de muitos desfiles na sua vida, seja como estudante, seja como organizadora.
 
“Minha primeira lembrança é desfilar em uma carroça ornamentada com uma representação cenográfica do Gogó da Ema. Ao todo, participei de 20 desfiles, sendo seis como estudante e catorze na produção. Durante oito anos, fiquei responsável pelo desfile propriamente dito”, informa.
 
Beatriz aos 16 anos desfilando no Trapichão 2 foto cortesia
 
Ela recorda de cortejos históricos, tanto como estudante como organizadora. Em 1972, já no ensino médio, foi como aluna do Colégio Estadual de Alagoas ao Trapichão, cujo pelotão representou as indústrias locais. Já em 2000, em um dos vários desfiles que organizou, teve como parceiro de produção o cenógrafo Gustavo Leite.
 
Beatriz Brandão 2 foto cortesia
 
“Esse ano o desfile foi e homenagem a Pedro Teixeira e, na ocasião, cada pelotão homenageava um folclore alagoano. Já em 2001, o foco foram os autores e as autoras alagoanas. No meu último ano na organização, a temática foi voltada às artes cênicas, foi muito marcante. O mais enriquecedor era ver como as escolas se empenhavam na pesquisa de cada tema e como o traduziam isso em seus figurinos e faixas”, pontua.
 
Escolas estaduais no desfile de 2019 fotos thiago henrique 4
 
O amor pelo evento é tamanho que rendeu até uma pós-graduação em Artes pela Universidade Federal de Alagoas em 2012. “Nesta monografia, procuramos mostrar que o desfile sempre buscou valorizar as coisas da terra como também trazer uma reflexão tanto para os alunos como para o público participante sobre o que é a emancipação de Alagoas, apresentando a nossa cultura de forma lúdica. Ou seja, trata-se uma experiência artística e estética”, reflete Beatriz, que é professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual José da Silveira Camerino.
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