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09/09/2017 - 18h28m

História e beleza arquitetônica marcam as escolas da região Norte de Alagoas

Escolas estaduais Messias de Gusmão, Ambrósio Lyra, Guedes de Miranda e Nossa Senhora da Apresentação são berços educacionais de seus municípios

História e beleza arquitetônica marcam as escolas da região Norte de Alagoas
Texto de Ana Paula Lins e Manuella Nobre

A região Norte de Alagoas é, sem dúvida, um lugar privilegiado. Além das praias de beleza singular, abriga cidades e vultos históricos (Porto Calvo, Passo de Camaragibe, Calabar) e alagoanos ilustres (Aurélio Buarque de Holanda). 

O Norte também é cenário da terceira reportagem da série especial sobre as unidades históricas da rede estadual, tendo como protagonistas as escolas Nossa Senhora da Apresentação, Guedes de Miranda, Ambrosio Lyra e Messias de Gusmão. 

Em Porto Calvo, terra de Calabar, as escolas estaduais Guedes de Miranda, fundada em 1940, e Nossa Senhora da Apresentação, de 1965, são os berços educacionais da população. E ligada a ambas está Vânia Lúcia de Melo Silva. 

 Aos 66 anos, Vânia foi gestora da Guedes de Miranda e uma das responsáveis pela fundação da Escola Nossa Senhora da Apresentação, sendo a primeira aluna matriculada na instituição. 

Em 1965, quando era aluna do curso de admissão do Guedes de Miranda, Vânia liderou o grupo que solicitou ao padre Expedito Barbosa de Macedo a criação de um espaço onde os jovens da região pudessem dar continuidade aos estudos no ginásio (na época, o equivalente ao ensino fundamental de 6º ao 9º ano) sem precisar se deslocar até Maceió. Também coube a ela sugerir o nome da escola, uma homenagem à padroeira de Porto Calvo. 

 História de amor 

A unidade, que começou a funcionar na casa paroquial, ocupou também os prédios da antiga Casa da Cultura, hoje a sede da 10ª Gerência Regional de Educação (Gere). Em seguida funcionou na sede Escola Estadual Guedes de Miranda e, a partir de 1976, ganhou o atual espaço na Rua Varadouro. 

Vânia e toda a sua família possuem uma história de amor com a escola: sua filha Inaldevânia Melo, além de ter sido professora, hoje é diretora da instituição, enquanto sua neta conclui o ensino médio na escola. “Ao se tornar professora da escola, minha filha realizou um sonho meu, dando continuidade e fortalecendo nossa história de amor com esta instituição”, conta dona Vânia. 

Pérola do Passo 

Já em Passo do Camaragibe se encontra outra pérola do Norte e uma das mais bonitas escolas estaduais, a Ambrósio Lyra. Fundada em 1921, pelo governador Fernandes Lima (que também era camaragibano), a unidade passou a funcionar em 1924, homenageando outro filho ilustre do município, o magistrado, engenheiro, político, poeta e jornalista Ambrósio Cavalcante de Gusmão Lyra, patrono da cadeira número 03 da Academia Alagoana de Letras. 

 A instituição, que ao longo de sua história formou diversos camaragibanos, teve como primeiro diretor Aníbal Cardoso e como primeira professora, Maria Palmira Cardoso, professora particular de Aurélio Buarque de Holanda, conforme relata o livro ‘Camaragibe: Sua História e Sua Gente – O Porto da Árvore Amarela’, de Márcio Fernando Bomfim. 

A educadora Cristina Souza tem uma história especial com a escola: foi aluna, professora e hoje é diretora da instituição. “Costumo dizer que Ambrosio Lyra é o meu terceiro filho. Tenho muito carinho por esta escola, muitas lembranças felizes da infância, a exemplo das brincadeiras abaixo da mangueira centenária, que existe até hoje”, recorda. 

 O funcionário público e escritor Márcio Fernando Bomfim também foi aluno da instituição. Apaixonado por história, ele diz que não se pode contar a trajetória de Passo de Camaragibe sem mencionar a Ambrosio Lyra. 

“Esta instituição desenvolveu em nós, camaragibanos, o gosto pelas artes, cultura e educação. Inclusive no livro de visitas da escola temos um emocionante relato de Raul Lima, diretor do Arquivo Nacional e um dos maiores intelectuais de Alagoas, que, em maio de 1936, descreveu sua alegria pelo funcionamento daquela ‘casa de inteligência’”, relata Márcio. 

Messias de Gusmão: a Fênix renasce 

Outra instituição de relevância histórica na região é a Escola Estadual Messias de Gusmão, em São Luís do Quitunde. A unidade, também fundada no Governo Fernandes Lima, em 1924, é orgulho dos quitundenses e, pelas suas bancas passaram três governadores de Alagoas: Divaldo Suruagy, Lamenha Filho e Silvestre Péricles. 

No entanto, no ano 2000, fortes chuvas inviabilizaram o funcionamento da unidade de ensino, que permaneceu desativada até 2017, quando o governador Renan Filho e o secretário de Estado da Educação, Luciano Barbosa devolveram o prédio histórico recuperado à população. 

 A recuperação do espaço, que agora é mais uma opção de oferta do ensino médio para a juventude local, encheu de alegria os quitundenses. Quase todos têm alguma história para contar daquela instituição. 

É o caso de Maria Amélia Rego Barros. Aluna da unidade de ensino quando criança, ela fez questão de comparecer à reinauguração da escola e visitar sua antiga sala de aula. "É uma satisfação ver esse prédio reerguido; está ainda mais bonito do que quando estudei aqui", fala. 

A professora Florinilda Morais também tem muitos motivos para comemorar: foi aluna, professora e diretora da instituição, assim como a grande parte de seus familiares. "Não tenho palavras para descrever o que representa esta escola para São Luís do Quitunde; sua recuperação foi um presente para nós", afirma Florinilda, que também foi titular da 10ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), hoje Gerência Regional de Educação (Gere). 

O empresário Alberto de Gusmão Porto, bisneto de Messias de Gusmão, também prestigiou a  reinauguração do espaço. “É maravilhoso ver este prédio, que estava em escombros, ressurgir como um dos mais bonitos do município. Nossa família é muito grata pela sua recuperação”, frisa Alberto.

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